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O termostato da menopausa: o que ele revela sobre as coisas que você não aguenta mais

Foto do escritor: Luciana Bernardinello
Luciana Bernardinello
12 de jul.
4 min de leitura

por Luciana Bernardinello


Eu tenho uma teoria sobre o climatério.


Não é uma teoria acadêmica, embora tenha base científica, como vou mostrar.


É uma observação pessoal, construída ao longo de anos de pesquisa e de travessia própria, que eu nunca vi em nenhum livro sobre menopausa escrita exatamente dessa forma:


O termostato da menopausa dispara para aquilo que me desestabiliza.


Em linguagem mais direta: para o que enche o saco.


Quando percebi isso

Não foi num momento de insight silencioso.

Foi no meio de uma situação cotidiana, o tipo de coisa que antes eu manejava sem pensar muito, quando percebi que minha reação estava completamente desproporcional ao que estava acontecendo.


Não era raiva.

Era uma espécie de intolerância visceral.

Como se algo dentro de mim tivesse chegado num limite que eu não sabia que existia.


E o que me chamou atenção não foi a intensidade da reação. Foi a seletividade dela.


Não era qualquer coisa que disparava.

Era sempre aquilo. Aquele tipo de situação.

Aquele padrão específico.

Aquela dinâmica que eu havia tolerado por anos, às vezes por décadas, e que de repente havia se tornado simplesmente insuportável.


Como se o climatério tivesse instalado um termostato novo.

E esse termostato tivesse um único programa: disparar para o que me desestabiliza.


O que a neurociência explica sobre isso

A imagem do termostato é mais precisa do que parece.


O hipotálamo — a região cerebral que regula temperatura corporal, sono, apetite e resposta ao estresse — é diretamente afetado pela queda do estrogênio durante o climatério. É por isso que os fogachos acontecem: o hipotálamo interpreta uma pequena elevação de temperatura como sinal de superaquecimento e dispara os mecanismos de resfriamento do corpo: suor, vasodilatação, calor intenso, de forma desproporcional ao estímulo real.


O termostato está descalibrado.


Mas o hipotálamo não regula só temperatura.

Ele também participa da regulação emocional, especialmente da resposta ao estresse e da tolerância à frustração. E quando o estrogênio oscila, essa regulação também oscila.


O que significa que a intolerância ao que antes era tolerável não é frescura, não é mau humor, não é você se tornando uma pessoa difícil. É o termostato emocional respondendo à mesma descalibração que causa o fogacho.


O que muda não é o seu caráter. É o seu limiar de tolerância.


O que dispara o termostato — e o que isso revela

Aqui está a parte que mais me interessa e que leva tempo para perceber: o termostato do climatério não dispara aleatoriamente. Ele dispara para o que já estava pesando antes, só que de forma mais silenciosa.


A relação que drena, mas que até então, você gerenciava.

O papel que não cabe mais, e que você continuava ocupando por inércia.

A forma de trabalhar que contradiz aquilo que você já sabe sobre si mesma.

O padrão de cuidar de todos antes de cuidar de si.

O não que você engoliu tantas vezes que virou hábito.


O climatério não cria novas intolerâncias do nada. Ele amplifica o que já estava lá, mas que o sistema nervoso tinha recursos suficientes para amortecer. Quando esses recursos diminuem — com a oscilação hormonal, com o sono fragmentado, com a sobrecarga acumulada — o amortecedor desaparece.


E o que sobra é o sinal puro.


Aquilo que te desestabiliza. Aquilo que enche o saco.


Não como problema a resolver.

Como informação a ouvir.


A intolerância como bússola


Demorei para chegar nessa perspectiva. No início, a intolerância parecia só um problema, mais uma coisa do climatério que precisava ser gerenciada, controlada, suavizada.


Mas com o tempo, e com a ajuda da pesquisa em psicologia do desenvolvimento e das práticas de Consciência Plena, comecei a ver de outra forma.


A intolerância ampliada do climatério é também uma bússola.


Ela aponta, com uma precisão que raramente tínhamos antes, para o que não está alinhado. Para o que foi tolerado por tempo demais.


Para o que precisa mudar, não porque a mudança é fácil, mas porque o custo de não mudar ficou alto demais para o sistema nervoso sustentar.


Jung chamaria de o retorno do que foi reprimido.


A neurociência chamaria de redução da capacidade de supressão emocional.


Eu chamo de termostato da menopausa.


E o que o termostato está dizendo, quando você para de tentar desligá-lo e começa a ouvi-lo, é quase sempre algo importante.


O que fazer com essa informação

Não estou dizendo que toda reação desproporcional do climatério é sabedoria pura que deve ser seguida sem questionamento. A descalibração do termostato é real, e às vezes, o disparo é excessivo para o que a situação realmente pede.


O que estou dizendo é que existe uma diferença entre: suprimir a reação — que é o que fazemos quando tentamos apenas controlar o que está emergindo. E escutar a reação — que é o que acontece quando usamos o disparo como dado. Como pista. Como pergunta.


O que esse nível de intolerância está tentando me dizer?


Essa pergunta, feita com Consciência Plena, sem julgamento e sem pressa, costuma revelar algo que estava esperando para ser nomeado.


Não sempre.

Não imediatamente.

Mas com mais frequência do que esperamos quando começamos a prestar atenção.


Uma prática para os dias de termostato disparado

Quando a intolerância chegar, e ela vai chegar, antes de reagir ou de suprimir:


Para.

Respira uma vez — longa, com a expiração mais longa que a inspiração.


Pergunta internamente: isso é o termostato respondendo ao estresse do momento — ou está me dizendo sobre algo maior?


Não precisa responder na hora. Só fazer a pergunta já muda a qualidade do que vem depois.


E se quiser uma prática de respiração guiada para esses momentos, desenvolvida especialmente para o climatério, está disponível gratuitamente:



Se você quer entender com mais profundidade o que está acontecendo no seu sistema nervoso e no seu cérebro nessa fase — e desenvolver ferramentas reais para atravessar com mais consciência:



E para quem quer atravessar essa reorganização com acompanhamento estruturado — não sozinha:




Luciana Bernardinello é Doutora em Educação, pesquisadora e arteterapeuta. Criadora d'A Potência do Ser — projeto dedicado a ampliar a consciência sobre o climatério como tempo de maturidade e protagonismo feminino.



 
 
 

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